Uma grande amizadeFinlândia, terra dos mil lagos, país do extremo norte da Europa com natureza espetacular e frio. As florestas cobrem mais de dois terços da terra e os lagos e rios representam quase mais um décimo. Famosa pelas paisagens de neve e gelo, a escuridão e melancolia do inverno e a mitologia do solstício. Amazônia, selva tropical, quente e úmida, lar de milhões de espécies de plantas, animais e insetos. Onde andam o Curupira, pagé e a Mãe d’Água. Território da cobra grande e do boto. Brasil – Finlândia: mais de 10600 km separam os dois países. É a paixão pela natureza que os une.
15 de maio, 7 horas da manhã: os diretores do CNS, Gatão e Sandra, embarcam na longa viagem ao norte. Mais de 30 horas depois, a dupla chega em Helsinki, cansada, mas bem. Só uma parte da cachaça não sobreviveu as jogadas do avião. A equipe que espera os dois no aeroporto está feliz mesmo assim.
O Fórum Social Finlandês
O interesse é grande: dois dias os delegados do CNS apresentam o conceito das Reservas Extrativistas Florestais e Marinhas da Amazônia, seu papel importante no combate à mudança climática e as atividades de reflorestamento em áreas degradadas. Sandra representa a força das mulheres da floresta nos debates; discussões, exposições, painéis e entrevistas individuais e coletivas não deixam tempo para se queixar do frio e geram novas amizades e contatos que serão bem vindos aqui em Belém no Fórum Social Mundial em janeiro de 2009. A dupla dá dicas importantes aos finlandeses: infra-estrutura, segurança, logística bem como passeios e visitas a reservas, PAEs e outras áreas de interesse.  A dupla CNS na frente da universidade de Helsinki 20 de maio: depois de várias reuniões com professores, jornalistas e pesquisadores, Gatão e Sandra realizam uma exposição sobre a Amazônia no Instituto Latinoamericano da Universidade de Helsinki, falando da luta dos extrativistas pela criação das Reservas Extrativista, os avanços, as experiências e conquistas nesse processo. Ressaltando a importância da floresta no equilíbrio do ecossistema, no fornecimento de produtos que garantem à renda das famílias que moram em floresta, a sua função no processo de mudança de clima e sua importância para a preservação da biodiversidade, a dupla capturou a atenção do público.
O companheiro do MST, que também foi convidado à Finlândia, no entanto, relata a luta do MST contra o latifúndio e para a reforma agrária.
Dia do Anarquismo
Só com sorte e olho de águia consegue-se achar um espaço na parede que ainda não é pintado, marcado e grafitado. Até o vaso sanitário sofreu a arte dos anarquistas numa casa ocupada de atividades culturais e debates políticos. O movimento anarquista é formado principalmente por jovens que visam uma sociedade alternativa ao consumismo e o capitalismo. Firmes em debates e curiosos de saber mais da visita exótica, os anarquistas não cansam até 23h da noite. Mas aí, ainda está claro.... verão na Finlândia.  Reunião na casa ocupada 22 de maio: o dia tem um grande desafio para a frente, mas a manhã começa tranqüila com um encontro com dirigentes de partidos de esquerda para conversar sobre a política para Amazônia – falando geração de energia, produção de alimentos e derrubada de floresta.
À tarde há uma reunião no Siemenpuu, organização de apoio com muitos anos de parceria com o CNS. O assunto é de grande atualidade: a REDD – Redução das Emissões do Desmatamento e da Degradação, um mecanismo importante que será incorporado no acordo de clima de 2012, que sucederá o Protocolo de Quióto. O CNS reafirma seu compromisso com a manutenção da floresta em pé, por razões obvias: é dela que os extrativistas tiram sua renda e o sustento da família. Também se entende que a floresta exerce uma função importante no equilíbrio da biodiversidade e manutenção do clima. Portanto, o CNS incansavelmente está em processo de mobilização, realizando reuniões, seminários, conferencias e o II Encontro dos Povos da Floresta, assim como a participação de lideranças do CNS nos eventos sobre esse assunto no exterior.
O Desafio da Noite
À noite, a dupla é convidada a tomar banho de sauna. Tirar roupa no frio e suar numa sauna unissex. Diz o Gatão: “Aí camaradas, não foi fácil encarar.”
23 de maio: continuam as conversas e reuniões com professores e jornalistas sobre o trabalho com as reservas extrativistas. Em seguida cultura finlandesa: Sandra e Gatão participam da abertura do Festival Popular Finlandês, organizado pelo KEPA, articulador do Projeto Puxirum e fiel parceiro do CNS desde 1998.
24 de maio: primeiro dia do festival e ultimo dia da viagem na Finlândia. O festival atrai cerca de 70 mil pessoas nos dois dias de eventos. Sandra e Gatão aproveitam da oportunidade de falar para um grande público, falando dos objetivos das reservas extrativista, das lutas dos extrativistas, das conquistas e dificuldades. Enfatizam a importância da cooperação dentro e fora do Brasil e solicitam a sensibilidade do povo finlandês na luta em defesa da floresta Amazônica e seu povo.
Não se vai embora sem mostrar um pouco da grande arte brasileira: Gatão e Sandra entram numa partida de futebol, um combinado de Brasil e Espanha contra o time dos jovens filhos de dirigente sindicais da Finlândia. Resultado: 5 X 2 pra nós, é mole?
Chegaram na Amazônia no domingo, dia 25 de maio, feliz de poder tomar o gostoso açaí, mas também com saudade da grande amiga: Finlândia, Terra dos Mil Lagos.
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Comentário de VISITANTE on 2008-06-06 10:27:51 é isso aà gatão | Comentário de VISITANTE on 2008-06-26 07:43:41 Adorei o relatório, um abraco grande aos dois! Espero receber visitas amazônicas sempre para trazer um calor humano à nossa terra gelada... Obrigada por tudo, saudacoes da Inkeri - a intérprete no Fórum Social Finlandês | Por favor, faça login ou cadastre-se para adicionar um comentário |